Tenda Espírita Caxana

Fé e Caridade

(continuação)

Interpretando o que foi visto anteriormente temos:

1º Par: Oxalá é cristalino, rege a fé e flui passivamente, não forçando ninguém a vivenciar a fé, pois só havendo aceitação do fiel, sua fé será de uma firmeza a toda prova. Já Oiá-Tempo, seu pólo oposto, pune todos quantos se afastarem da fé. Por isso ela é a temida senhora dos ??Eguns?? ou espíritos caídos, no sentido da fé.

2º Par: Oxum é mineral e rege a concepção. ? ativa e energiza os seres estimulando-os a se unirem, pois só assim as concepções acontecem. A energia mineral pura é estimuladora do magnetismo que torna o macho e a fêmea atrativos um para o outro. Já Oxumaré é visto como o ??arco-íris??, pois ele apassiva essas energias de Oxum e as conduz para o alto (cabeça) mentalizando todo o potencial conceptivo e transformando a natureza íntima do ser, que se torna um protetor da concepção.

3º Par: Oxóssi é vegetal e rege o conhecimento. ? ativo e estimula os seres a buscarem-no (??caçador??) onde ele for possível de ser encontrado. Já Oba é passiva e pólo atrativo, pois fixa ou paralisa os seres num determinado ponto quando já absorveram muitos conhecimentos, ou os necessários para que se realizem como seres.

4º Par: Xangô é ígneo e rege a justiça. ? passivo, pois a justiça tem que ser perene e imutável nos seus julgamentos. Ela não pode ter dois pesos ou duas medidas. Já Iansã é ativa e atua no sentido de estimular os seres a se movimentarem noutra direção quando a justiça os paralisou na que estavam se conduzindo de forma errada.

5º Par: Ogum é eólico, rege a lei e é passivo, pois a lei não pune ninguém. Apenas paralisa quem estiver agindo de forma contrária aos seus ditames: equilíbrio e harmonia em todos os sentidos. Já seu pólo oposto; Egunitá, é ativa pois movimenta o fogo que purifica os sentidos e destrói os acúmulos energéticos negativos que estão estimulando um ser a agir ??fora da lei??.

6º Par: Obaluaê é telúrico-aquático e ativo, pois estimula os seres a evoluírem, a superarem seus estágios evolução e níveis consciênciais, buscando no saber os meios necessários a que tais coisas consigam. Já Nanã é aqática-telúrica e passiva, pois simbolizada pelo ??lago?? decanta os seres que estão sobrecarregados de ??negativismos??. As águas dos rios, revoltas por natureza, têm de desembocar num lago ou mangue onde, aquietando-se momentaneamente, se decantarão de todas as impurezas incorporadas no seu fluir contínuo, deixando que ao fundo elas venham a descer. Só assim, decantadas, as águas serão úteis.
Mas em uma outra interpretação, encontramos Nanã como o mistério divino que atua nos espíritos que serão conduzidos ao reencarne, mas ainda se encontram muito ??negativos??. Ela, o mistério Nanã, paralisa momentaneamente esses negativismos, senão a maternidade não será possível.

Aqui um parêntese: (Oxum estimula a concepção, Nanã decanta os espíritos que serão concebidos e Iemanjá sustenta a maternidade ou a geração de vida. Elas, as Yabas, são mistérios em si mesmas e as encontramos, cada uma delas, na linha da água (geração), cuidando de uma etapa de todo o processo reencarnatório).
Oxum estimula a gestação para que as concepções aconteçam.
Nanã decanta os espíritos (prepara-os) para que reencarnem.
Iemanjá sustenta a maternidade para que a vida aconteça na maior harmonia e equilíbrio possíveis.
Cada uma delas atua num ??momento?? ou estágio da linha de força responsável pela geração. Mas todas são divindades naturais com múltiplas atribuições, pois atuam nas sete linhas de forças da Coroa Divina. Nós não entendemos as codificações que colocam Oxum e Nanã como ??caboclas?? de Iemanjá.
Quem se dispuser a escrever sobre mistérios, antes deve estudá-los a fundo, munir-se de bom senso, perspicácia e uma visão precisa dos mitos e lendas, caso não queira cometer erros nos níveis superiores da espiritualidade.
As lendas e os mitos construídos acerca das divindades, todos afins entre si, estão de alguma forma nos revelando alguns dos seus atributos e atribuições. Em um nível as encontramos com uma qualidade e em outro já as encontramos com outra, que lhes facultam novos atributos e mais abrangentes atribuições).

7º Par: Iemanjá, aquática por natureza, rege a geração e sustenta todas as manifestações da vida em todos os níveis. Já seu pólo oposto, que é seu par energo-magnético, é simbolizado pela ??morte??, pois Omulu atua justamente nos ??momento?? do ser em que se encontra paralisado na ??vida??. Encontramos Omulu no campo-santo (cemitério), pois mais simbólico que ele não existe: ? o campo da morte.
Devemos meditar muito acerca das naturezas que animam os dois pólos de uma mesma linha de força, pois, se no alto (pólo irradiante) está Iemanjá regendo a geração, no embaixo (pólo atrator) está Omulu regendo os seres que se afastaram da ??vida?? e estão vibrando sentimentos ??mórbidos??.
Cada pólo oposto significa exatamente isso: o oposto.
Iemanjá é amada como mãe generosa e Omolu é temido como o pai rigoroso. São dois pólos de uma mesma linha de força irradiada pelo orixá essencial que sustenta a ??geração?? e está assentado na Coroa Regente Planetária com uma das sete manifestações essenciais do Divino Criador.

LIVRO: As Sete Linhas de Umbanda
AUTOR: Rubens Saraceni
ORIENTA??O ESPIRITUAL: ??Li-Mahi-Am-Seri-yê??