Tenda Espírita Caxana

Fé e Caridade


Foi na Escócia, em Glasgow, que esta história aconteceu...

Uma moça tinha problemas em casa, vivendo contrariada com os limites impostos por seus pais.

Um dia; depois de discutir, resolveu partir.

Saiu de casa, alcançou os jardins do mundo.

Logo descobriu que não era tão fácil viver sozinha, tendo que arcar com sua própria subsistência.

Tudo era extremamente caro.

Frágil e só, incapaz de conseguir um trabalho, ela acabou comercializando seu corpo para sobreviver...

Os anos se passaram...

Seu pai faleceu...

Sua mãe envelheceu...

E ela nunca mais tentou qualquer contato com os seus.

Certo dia, a mãe ouviu falar do paradeiro da filha.

Foi até a parte da cidade onde a Vida era apenas sobrevivência humilhante, tentando achá-la, mas não a encontrou...

No caminho de volta, tomou uma resolução.

Parou em um templo e pediu licença para deixar ali uma foto sua.

Era uma foto daquela mãe grisalha e sorridente, com uma mensagem manuscrita:

"Eu ainda amo você. Volte para casa...?

Os meses se passaram.

Nada aconteceu.

Então, um dia, a jovem foi a um local onde se distribuía sopa para os carentes.

Sentou-se, enquanto ouvia alguém falar algo sobre o significado da Vida...

Em dado momento, seu olhar se voltou para o lado e viu o quadro de avisos.

Não se conteve.

Levantou-se e leu a mensagem:

"Eu ainda amo você. Volte para casa...?

Reconheceu sua mãe no retrato.

Ela desejara tantas vezes voltar, mas temia não ser recebida.

Afinal, ela se transformara em alguém da qual tinha vergonha...

Objeto de tantos homens...

Era noite; mas tocada por aquelas palavras, ela foi caminhando até sua casa.

Amanhecia o dia, quando chegou.

O sol se espreguiçava em sua cama de nuvens e seus raios escorriam, radiantes, inundando a terra de pequeninos pontos de luz.

Tímida, ela se aproximou de sua casa.

Não sabia bem o que fazer.

Bateu na porta e esta se abriu sozinha.

Ela se assustou.

Alguém arrombara a casa, pensou...

Preocupada com sua mãe, correu para o quarto e a viu dormindo.

Acordou-a, chamando-a:

"Mãe, sou eu. Voltei para casa".

A mãe mal podia acreditar.

Abraçou-se à filha, em lágrimas.

"Fiquei tão preocupada, mãe. A porta estava aberta. Pensei que alguém tinha entrado e ferido você".

Enquanto passava as mãos, docemente, pelos cabelos da filha, a mãe disse:

"Filha querida. Desde o dia em que você se foi, a porta nunca mais foi fechada..."


Alguém escreveu certa vez ao seu filho:

"Quando você era pequeno e bastava estender a mão para tocá-lo, eu usava cobertores para protegê-lo do frio da noite.

Mas agora que você cresceu e está fora do alcance, junto minhas mãos e cubro você com minhas orações..."