Tenda Espírita Caxana

Fé e Caridade

A impossibilidade de agradar a todos...

Em pleno calor do dia um pai andava pelas poeirentas ruas de Keshan junto com seu filho e um jumento.

O pai estava sentado no animal, enquanto o filho o conduzia, puxando a montaria com uma corda.

- Pobre criança! - exclamou um passante

- Suas perninhas curtas precisam esforçar-se para não ficar para trás do jumento.

- Como pode aquele homem ficar ali sentado tão calmamente sobre a montaria, ao ver que o menino está virando um farrapo de tanto correr.

O pai tomou a sério esta observação, desmontou do jumento na esquina seguinte e colocou o rapaz sobre a sela.

Porém não passou muito tempo até que outro passante erguesse a voz para dizer:

- Como pode!

- O pequeno fedelho lá vai sentado como um sultão, enquanto seu velho pai corre ao lado.

Esse comentário muito magoou o rapaz, e ele pediu ao pai que montasse também no burro, às suas costas.

- Já se viu coisa como essa? - resmungou uma mulher usando véu.

- Tamanha crueldade para com os animais!

- O lombo do pobre jumento está vergado, e aquele velho que para nada serve e seu filho abancaram-se como seu animal fosse um divã!

- Pobre criatura!

Os dois alvos dessa amarga crítica entreolharam-se e, sem dizer palavra, desmontaram.

Entretanto mal tinham andado alguns passos quando outro estranho fez troça deles ao dizer:

- Graças a Deus que eu não sou tão bobo assim!

- Por que vocês dois conduzem esse jumento se ele não lhes presta serviço algum, se ele nem mesmo serve de montaria para um de vocês?

O pai colocou um punhado de palha na boca do jumento, pôs a mão sobre o ombro do filho e disse:

- Independente do que façamos, sempre há alguém que discorda de nossa ação.

- Acho que nós mesmos precisamos determinar o que é correto...