Tenda Espírita Caxana

Fé e Caridade


A maioria de nós atravessa a vida constantemente surpreso, quando acontece conosco algo difícil ou doloroso. Parece que esperamos que a vida seja uma vereda suave.
O sofrimento faz parte do entrelaçamento de nossas vidas. Não existe vida sem dor, seja ela física, emocional ou espiritual. ? assim que somos. Isso faz parte da natureza das coisas. Podemos passar esta vida constantemente obrigados a recuar diante de todas as dificuldades que nos atribulam, ou estar prontos e dispostos a enfrentar os problemas que inevitavelmente se atravessarão em nosso caminho. A primeira atitude é a que menos nos equipa para enfrentar a vida. E a segunda, embora mais realista e mais saudável, ainda assim deixa-nos indagando sobre por que deveria haver o sofrimento, em primeiro lugar, e como um Deus de amor pode permitir a existência de um mundo de sofrimentos.
A solidão é uma realidade. E sempre sentimos que somos a única pessoa no mundo a sofrer dessa maneira. Até parece que todas as outras estão bem. A vida continua para todos, mas a nossa parece ter parado. Olhamos ao redor através de nossas lágrimas. As pessoas continuam a fazer as coisas indiferentes e sem se deixar afetar pela calamidade que nos está machucando. Se ao menos elas soubessem...
Não obstante, mesmo que o soubessem, a vida continuaria assim mesmo. As pessoas continuariam se alimentando, abrindo janelas e indo trabalhar. O mundo não pára simplesmente por estarmos sofrendo. Eis como sentimos as coisas, e essa é a causa pela qual nos julgamos tão isolados quando sofremos.
Sentimos-nos abandonados e sem amigos em uma ilha desértica. E mesmo quando as pessoas nos visitam e tentam consolar-nos, sabemos que em breve elas partirão e continuarão suas rotinas diárias.
A escuridão do sofrimento torna-se mais densa devido à sensação de que a dor nunca chegará ao fim. E quando as pessoas tentam consolar-nos com palavras não nos resta nem energia e recursos internos para corresponder à reação delas. Nada dizemos, sorrimos frouxamente e resignamos as nossas almas à longa noite que não terá amanhã. As trevas do sofrimento nos envolvem e obscurecem todos os raios de esperança.
? assim que o sofrimento se parece. Inevitavelmente ouvimos alguém gritando no interior de nossa mente: ??Por que eu?? Não é tanto uma pergunta intelectual, que pede razões, mas é o grito de uma alma que busca chamar a atenção de alguém.
Embora duvidemos que alguém possa compartilhar plenamente de nossa tristeza, mesmo assim há um impulso interior para encontrarmos uma pessoa que, como se fosse um pai, se devote inteiramente a nós, e torne melhor a nossa sorte. Esses amigos compassivos são poucos e aparecem com pouca freqüência.
A ausência de tais consoladores que nos mostrem uma piedade genuína deixa-nos à procura da pessoa que estiver sofrendo tanto quanto nós e que esteja, igualmente, preocupada com nosso próprio bem-estar tal como consigo mesma. Esse é o começo da compaixão. O nosso próprio ??eu? torna-se a preocupação de nossa atenção.
Com freqüência, é no lamaçal da autocompaixão, quando nos sentimos um pouco cansados de sentir pena de nós mesmos, que olhamos ao nosso derredor e para cima. Antes de termos tempo para que se formem argumentos intelectuais em nossas mentes, vemos que se formam palavras como de uma oração: ??Por que eu, ó Deus?? O clamor é exatamente igual como antes, mas a cena mudou. Em lugar de um modo dominado pela nossa própria situação, teremos empurrado para fora os limites e incluído a possibilidade da existência de Deus.
As primeiras orações de adultos são cautelosas e cheias de hesitação. Nem por isso são menos reais ou menos valiosas. Algumas vezes, são orações iradas: ??Eu pensava que Tu eras o Deus de amor!? Outras vezes são questionadoras: ??Como podes ter permitido que tal coisa acontecesse?? Em outras vezes são orações de busca: ??Mas por quê?? E, em outras são amargas e ressentidas: ??Bem, se é assim que tratas as pessoas...? E, finalmente, propõem uma barganha: ??Se fizeres assim e assim....então prometo-Te que ...?
Contudo, essas orações, sem importar como sejam proferidas, representam uma transformação em nossas percepções.
Quando oramos a Deus, raramente podemos estar seguros do resultado dessa oração. Deus vê tudo, ao passo que nos só vemos uma pequena parte. Embora tenhamos pensamentos claros sobre o que queremos que Deus faça, somos forçados a reconhecer que Deus vê o quadro inteiro, e que bem podemos estar cegos para outras coisas, que também são importantes. Jesus ensinou-nos a orar a Deus como se segue: ??Seja feita a tua vontade?. Isso está no centro da oração do Pai Nosso, e foi reverberado por Jesus, quando Ele procurava escapar à morte cruel por crucificação.
Foi dessa maneira que Ele nos ensinou um novo relacionamento para com o poder sobrenatural.
?s vezes Deus responde às nossas orações que pedem cura, mediante a ajuda dos médicos, de cirurgias ou de medicamentos. Tudo isso faz parte do mundo que Deus criou. Embora os médicos e as enfermeiras talvez não reconheçam Deus como fonte de tudo quanto é bom, não é obstante Ele opera através deles para ajudar as pessoas. Nos dias de Jesus, reconhecia-se que certos óleos tinham propriedades curadoras, e esses óleos eram esfregados no corpo, como um medicamento.
Depois que Jesus deixou esse mundo físico, Seus seguidores reuniam-se para rezar, meditar. Quando alguém estava em dificuldade, os líderes rezavam pelo mesmo. Eles recebiam orientações para que ungissem as pessoas enfermas com óleo. Em outras palavras, eles deviam administrar medicamentos e meditar ao mesmo tempo. A maneira de ficar curado era através de medicamentos e a meditação.
Uma atitude mental e espiritual positiva faz parte vital do processo da cura do corpo. A pessoa que sabe que outras estão meditando por ela encontra consolo e paz mental nessas meditações.
Se, nesse momento, você começar mentalmente imaginar limões frescos sendo cortados e espremidos, é muito provável que sua boca se encherá de saliva. Essas imagens mentais estimulam nossas glândulas salivares a funcionarem. Isso mostra o poder da imaginação que afeta o corpo.
O que acontece a uma das dimensões de nossa personalidade, afeta a outra. Por conseguinte, quando começamos a orar pedindo cura e abrimos nosso espírito a Deus, não é de surpreender que um senso espiritual de bem-estar comece a afetar o nosso corpo, ao recebermos tratamento médico. Essa é uma das maneiras pelas quais Deus responde à nossa reflexão pedindo cura.
Deus opera através da medicina, Ele também tem a liberdade de operar além dela. Deus opera no sobrenatural e confere a cura que vai além da compreensão humana.
Algumas vezes, porém a intervenção divina, embora oremos por ela, e a busquemos com lágrimas, notabilizam-se por sua ausência. Deus nos ouve, mas prefere responder de outra maneira.
O sofrimento, bem como estar na companhia daqueles que sofrem, drena nossas emoções e energia física, nesse momento estamos prontos para nos lançarmos aos cuidados de Deus.
Ele nos prometeu agir sempre dessa forma, cuidando de nós. Mas não garantiu que sempre nos curaria neste lado do sepulcro. E, em lugar de cura, Ele pode conferir-nos os dons da força, da paz e da gentileza. E também com a graça para resistirmos a tudo.
Algumas vezes, quando Deus se recusa a curar-nos fisicamente, isso pode significar que a morte poderá ocorrer em breve.
Inicialmente, isso pode parecer-nos ser um fracasso em nossas meditações e reflexões, mas pensar dessa forma, perde-ser de vista o plano maior.
A morte é uma realidade. Acontece a todos nós. Naturalmente, essas coisas são truísmos. Não obstante, precisam ser declaradas, por causa da conspiração do silêncio que envolve a morte, em nossa cultura. Morrer faz parte do ritmo natural da vida.
A ressurreição de Jesus confere-nos uma nova e ímpar perspectiva sobre a morte. A morte não é o fim da estrada, mas é antes um posto de troca. Posto ao longo do caminho.
Não há qualquer registro histórico em que Jesus esteve doente, mas Ele experimentou uma morte brutal tão cruel como a pior enfermidade física. Quando Ele enfrentou o que estava para acontecer a ele Jesus orou: ??Agora meu coração está perturbado, mas o que direi? Pai me salva desta hora? Não, pois com essa mesma razão eu vim. Pai glorifica o Teu nome?.
Para Jesus havia dois resultados possíveis quanto a Sua oração. O primeiro era que ele seria salvo e resgatado por ter passado o que passou ao ser traído e crucificado. O segundo era que, ao render-se a Deus, outros veriam a grandeza de Deus n??Ele. Jesus escolheu a segunda dessas possibilidades, e deu a todos os Seus seguidores um exemplo de como devemos enfrentar os sofrimentos.
Nossa reação instintiva e natural, diante de todo o sofrimento, é escapar tão rapidamente quanto nos for possível. Nada existe de desonroso nisso. ? assim que sobrevivemos como uma ração. Mas a pessoa que tiver começado a centralizar sua vida em Jesus, começará viver a vida com uma atitude diferente.

Autor: Rô Junqueira