Tenda Espírita Caxana

Fé e Caridade

Nascimento : 02 de Abril de 1910

Francisco Cândido Xavier, mais conhecido como Chico Xavier, nasceu em Pedro Leopoldo (MG) em 02 de abril de 1910, data marcada pela chegada daquele que seria o propagador incansável da doutrina espírita e um dos maiores médiuns de todos os tempos. Com apenas cinco anos de idade, enfrentou a dor de perder a mãe, Maria João de Deus. No leito de morte, ela disse ao filho que não morreria, simplesmente iria para um hospital muito longe, mas voltaria. Então, como combinado, o pequeno Chico foi morar com sua madrinha Rita de Cássia, período em que enfrentou punições em virtude, principalmente, de dizer que via e conversava com "mortos".
Passados dois anos, voltou a morar com seus oito irmãos e o pai, João Cândido Xavier, que tornou a se casar, desta vez com Cidália Batista, um "anjo salvador" que chegaria na vida de Chico, como disse sua mãe quando lhe apareceu em espírito. Realmente, a madrasta sempre o tratou e ouviu com muito carinho. Embora não entendesse a causa das visões do menino, por ser católica, Cidália resolveu levá-lo à igreja, a fim de curar essas manifestações constantes, tidas como loucura na época. Inclusive, ela sempre pedia a Chico que não contasse nada disso para seu pai, pois este estava querendo interná-lo em um sanatório para doentes mentais. Bastava comentar algo relacionado aos espíritos que o pai o levava para a igreja e o padre lhe aplicava várias penitências, como rezar mil Ave-Marias e seguir as procissões carregando uma pedra quase equivalente ao seu peso.
Além dos problemas causados pela mediunidade, Chico Xavier sempre ajudou no sustento da família, trabalhando desde pequenino. O primeiro emprego foi como operário de uma fábrica de tecidos, entretanto, devido à poeira do algodão, teve problemas no pulmão, recebendo do médico o pedido para que trocasse de local. Exerceu diversas funções ao longo de sua vida, trabalhando como servente de fiação, servente de cozinha e até mesmo caixeiro de armazém. Seu último emprego, cuja aposentadoria garantiu seu sustento até o desencarne, foi como funcionário do Ministério da Agricultura, cargo que exerceu por 35 anos consecutivos.
OBRAS LITERÁRIAS:
O início das produções psicográficas ocorreu em 1927, porém, atendendo a um pedido de Emmanuel, as mensagens recebidas até 1931 foram inutilizadas, pois tinham o objetivo de treiná-lo.
Em 1932, a Federação Espírita Brasileira (FEB) lançou o primeiro livro, Parnaso de Além-Túmulo, uma coletânea de poemas mediúnicos de grandes escritores, como Castro Alves, Casemiro de Abreu, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos, Manuel Quintão, Arthur Azevedo, entre outros. O fato causou um grande furor por todos os cantos, questionava-se como um homem de tão pouca instrução, semi-analfabeto, podia produzir tal obra. Apenas a espiritualidade explicaria tamanho fenômeno. A FEB ficou anos sem publicar outras obras, alegando cautela doutrinária. Por causa disso, Chico Xavier enfrentou várias dificuldades para colocar os livros psicografados em circulação, mas, felizmente, as publicações foram retomadas mais tarde e se consagraram mundialmente.
Chico era um homem de pouca instrução escolar, mas isso não o impediu de psicografar textos de diversos autores, entre eles, André Luiz, Emmanuel, Auta de Souza, Bezerra de Menezes, Meimei e Humberto de Campos. As mensagens deste último desencadearam problemas jurídicos envolvendo sua família, que entrou com processo visando o recebimento de direitos autorais. No entanto, o juiz encarregado de decidir o caso declarou que os mortos não possuíam direitos e, portanto, a família não deveria receber nada. Para evitar maiores problemas depois do fato, Humberto de Campos passou a assinar suas psicografias como "Irmão X".
Durante tantos anos de trabalho, críticas e dificuldades também fizeram parte da história de Chico Xavier. Entretanto, com humildade e resignação, ele jamais teceu um comentário sequer contra calúnias ou difamações, nem mesmo com relação às denúncias de desvio de verbas ou agressões físicas envolvendo seu filho adotivo, o dentista Eurípedes Humberto Higino dos Reis, e sua nora.
A vasta obra mediúnica, dirigida pelo iluminado espírito de Emmanuel, consolidou a divulgação do evangelho de Jesus e deu continuidade às obras de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo. No final da década de 50, Chico se mudou para Uberaba (MG) por motivos de saúde. No Grupo Espírita da Prece, recebeu o maior número de mensagens de caráter científico, filosófico e doutrinário. Além disso, suas obras psicografadas foram transformadas em peças de teatro e filmes. O médium mineiro, inclusive, chegou a fazer uma participação especial na novela O Profeta, de Ivani Ribeiro, na extinta TV Tupi.

INCANSÁVEL TAREFEIRO DO BEM
Durante anos, Chico Xavier sofreu silenciosamente. Com um corpo frágil e debilitado, apresentou diversos problemas de saúde ao longo da vida. Tinha angina, que enfraqueceu sua resistência física, agravada por pneumonias e problemas cardíacos, crises de labirintite, glaucoma, que o deixou cego de um olho, dificuldades para se locomover e falar etc. Há algum tempo, ele recebia cuidados especiais do médico particular e amigo Eurípedes Tahan e de enfermeiros.
Sempre com um ar de tranqüilidade estampado no rosto e uma palavra de conforto para qualquer pessoa que o procurasse, Chico resistiu bravamente até os seus últimos dias, com uma inigualável abnegação em favor do próximo. Cumpriu bem os postulados espíritas de "amar ao próximo como a ti mesmo" e de que "fora da caridade, não há salvação".
Sem sombra de dúvida, sua presença deixará saudades, porém, seu exemplo de caridade permanecerá vivo na memória de todos nós. Por mais que se fale sobre essa figura doce e meiga que foi Chico Xavier, não é possível traduzir em palavras o bem imenso que ele proporcionou para toda a humanidade.